Imigrante brasileiro é muito produtivo e ajuda economia dos EUA, diz estudo

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Por: Bernardo Zeymer Soares – Muitas vezes apontados como os vilões por setores mais conservadores da sociedade norte-americana, os milhões de imigrantes que vivem no país têm efeito positivo para a economia dos Estados Unidos, segundo estudo publicado neste ano.

É o caso pelo menos dos imigrantes brasileiros, que, de acordo com o estudo, são responsáveis por uma contribuição de US$ 58 bilhões (mais de R$ 107 bilhões)  para o Produto Interno Bruto norte-americano, além de gerarem 628 mil empregos e de pagarem US$ 7,5 bilhões (quase R$ 14 bilhões) em impostos.

Estes dados fazem parte do livro recém-publicado “Brasileiros na América”. Nele, o cientista político brasileiro Alvaro Lima, que vive nos Estados Unidos há 23 anos e é diretor de pesquisas da Prefeitura de Boston, traça o mais completo perfil da comunidade brasileira imigrante nos Estados Unidos, apontando desde o estado de origem no Brasil, a idade, o sexo, o nível educacional, a proficiência em inglês, a profissão, a remuneração e as remessas de dinheiro que essas pessoas mandam para a família que ficou no país de origem.

“O brasileiro imigrante tem um nível de educação e de produtividade mais alta de que os outros imigrantes. É uma imigração, em geral, de pessoas de classe média, de cidades e regiões de médio porte, como Governador Valadades, que é diferente da imigração mexicana, por exemplo, que é rural, saindo do campo mexicano para o campo norte-americano”.

Segundo dados do levantamento por amostragem realizado em 2007, 342.463 brasileiros vivem nos EUA, mas os dados dos postos consulares dizem que este grupo é quase quatro vezes maior, chegando a 1,24 milhão de pessoas. A maioria desses imigrantes, entretanto, vive em situação irregular, sem visto para ficar e trabalhar no país. O livro de Lima traz dados coletados em uma série de pesquisas realizadas por ele mesmo nos últimos anos, além de números oficiais do governo dos Estados Unidos.

Pelo perfil traçado por Lima, a idade média dos imigrantes brasileiros é de 35,8 anos, e 51% são mulheres. Os dados oficiais do censo, que deixam de contar muitos brasileiros que vivem de forma irregular no país, diz que 25,2% dos brasileiros que vivem nos EUA são naturalizados norte-americanos. Os trabalhadores de tempo integral brasileiros no país ganham em média US$ 31.571 (por ano). O valor é mais baixo de que os US$ 40.476 que ganham em média os trabalhadores nascidos nos EUA. Apenas 7,1% das famílias brasileiras e 11% do total de imigrantes brasileiros nos EUA vivem em situação de pobreza.

 

Papel positivo

Segundo Lima, há uma discussão para saber se estes imigrantes tiram do país mais de que produzem, já que os filhos dos brasileiros vão à escola paga pelo Estado, usam a saúde pública. Para ele, entretanto, “é uma discussão boba”, pois os imigrantes brasileiros têm um papel positivo grande na economia dos EUA.

“Como a mão de obra dos Estados Unidos atualmente é formada em grande parte de imigrantes, o país não tem um custo de criar e aposentar tantos trabalhadores. Quando o imigrante chega com a escola secundária completa, a capacidade que a escola secundária deu para a força de trabalho foi paga pela sociedade brasileira. É uma transferência direta de recursos do país mais pobre para o mais rico”, disse.

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