PM pode aumentar patrulhamento na Savassi para coibir ação de criminosos

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O comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Helbert Figueiró de Lourdes, determinou à companhia responsável pelo policiamento da Savassi, Centro-Sul de BH, que seja realizado levantamento para avaliar as reclamações de comerciantes, pedestres e moradores, que apontam o avanço da violência na região e cobram mais policiamento para coibir criminosos, inclusive os que se infiltram entre a população de rua.

O militar admitiu que o policiamento pode ser ampliado na Savassi. “A partir do momento que eu receber um levantamento detalhado, se necessário, tenho a companhia Tático Móvel, que faz o recobrimento de todas as outras companhias, com a qual posso saturar aquele local”, afirmou.

O oficial não considera que haja um ambiente de insegurança. Segundo ele, as reclamações não foram direcionadas à 4ª Cia., que faz o policiamento prevenção da região. “O foco dessa unidade é o polo comercial da Savassi, que também é um ponto de lazer e turismo”, disse Figueiró. O tenente-coronel não garantiu que vai mudar a estratégia na Base Comunitária Móvel, uma viatura furgão que permaneceu por longo período no cruzamento das avenidas Getúlio Vargas e Cristóvão Colombo, mas foi deslocada para outros pontos, como a Praça da Liberdade, em dezembro. “O ponto prioritário é a Praça da Savassi e Segundo Figueiró, o governo do estado já foi informado sobre a situação da câmera do Olho Vivo instalada na esquina das ruas Pernambuco e Tomé de Souza e outras que estão estragadas, segundo comerciantes. Mas não informou o número de defeituosas e o prazo para conserto.

Enquanto isso, há muitas reclamações na região. “Nunca me senti tão inseguro na Savassi quanto hoje”, afirmou Rodrigo Octávio Diz, de 46 anos. Dono de uma casa lotérica há 12 anos na esquina da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Tomé de Souza, ele foi assaltado há cerca de um mês. Por volta das 15h30, saiu a pé carregando um malote com cerca de R$ 10 mil, quantia que pretendia depositar em uma agência bancária na Avenida Cristóvão Colombo. Ainda na Tomé de Souza, foi rendido por um homem com revólver, que o obrigou a se ajoelhar no passeio. Depois de alguns instantes, um comparsa chegou de moto e os bandidos fugiram. “Fiquei apavorado, totalmente sem reação. Ainda levaram meu celular, documentos, até a chave de casa”, contou. “Falta policiamento. A gente se sente abandonado”, reclamou.

Outros comerciantes dizem também ter sido vítimas de furtos e roubos nos últimos meses. Eles reclamam do policiamento reduzido na região. Uma das queixas mais frequentes, inclusive de pedestres e moradores, são os pequenos furtos. Como o EM informou ontem, pelo menos 95% das pessoas abordadas e identificadas pela PM como moradores de rua já foram presas ao menos uma vez por diversos crimes, segundo o tenente Heron Soares, que comanda o policiamento na área.

Por volta das 10h de ontem, ao parar a moto na Rua Fernandes Tourinho, altura do número 300, um rapaz foi rendido por um assaltante, que tentou fugir com o veículo, mas um mecanismo de segurança fez as rodas travarem. “O cara tentou arrancar a moto, foi jogado no chão e saiu correndo. Ele não mostrou arma, mas o dono da moto não quis pagar para ver. Quem pagaria?”, disse o funcionário de uma loja de CDs em frente.

Arrombamento

'Arrombaram e levaram um computador novinho e talões de cheques. O policiamento é quase zero',  Marco Antônio Meyer,  dono de livraria (FOTOS CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS</p>
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“Arrombaram e levaram um computador novinho e talões de cheques. O policiamento é quase zero”, Marco Antônio Meyer, dono de livraria

A poucos metros dali, há cerca de dois meses uma livraria no segundo andar de um edifício na esquina da Rua Alagoas com Getúlio Vargas foi invadida. “Quebraram os vidros de uma janela nos fundos da loja e arrombaram. Levaram um computador novinho, talões de cheques e pouco mais de R$ 100. O prejuízo chegou a R$ 1,5 mil”, contou o proprietário, Marco Antônio Meyer, que pôs grades na janela. “Foi o primeiro assalto em sete anos. O policiamento é quase zero”, queixou-se.

Sem querer se identificar, a gerente de um restaurante da Getúlio Vargas assaltado informou que há cerca de quatro meses, por volta das 18h30 de uma segunda-feira, dois homens com revólveres renderam os três funcionários. “Levaram cerca de R$ 2 mil e ainda quebraram as câmeras de segurança. Foi o quinto assalto em cinco anos, mas o primeiro à mão armada”, disse. “A insegurança aumentou muito na região. Há poucos policiais”, afirmou.

Na semana passada, um estacionamento na Tomé de Souza foi arrombado à noite, quando não havia ninguém no local. “Levaram R$ 100 do caixa e um computador . Foi o primeiro assalto em dois anos”, contou o gerente Sebastião Roseno, de 41. Em uma papelaria na esquina da rua com um quarteirão fechado da Pernambuco, a gerente Ornélia Lúcia Araújo disse que quase todo dia cadernos e outras mercadorias são furtados. “Hoje (ontem) podem ter levado algo e a gente nem percebeu. São esse moleques que ficam na rua e aproveitam principalmente quando a loja está cheia”, disse.

Em uma loja de roupa no mesmo quarteirão da Pernambuco, a dona correu atrás de um rapaz que furtou uma peça. “Vi pela câmera de segurança”, lembrou Clara Fontenelle. “Todo dia moradores de rua entram aqui, pedindo dinheiro, comida. Sempre estão com sinais de que se drogaram. A gente fica com medo, claro. Já chamamos a polícia quatro ou cinco vezes, mas não vieram”, acrescentou.

Criminalização de moradores de rua

Ativistas e autoridades que trabalham com população de rua se disseram surpresos com a estimativa da Polícia Militar de que a maioria dos sem-teto abordados na Savassi têm passagens por crimes. Para eles, não há pesquisa relacionada ao assunto nem estimativa da quantidade de pessoas que vivem nas ruas da capital. O último censo feito em BH, em 2005, apontava pouco mais de mil pessoas em situação de rua. A pesquisa mais recente, feita em 27 de novembro do ano passado pela Prefeitura de Belo Horizonte com o apoio da UFMG, só deve ter resultados divulgados no fim de fevereiro.

“A sociedade precisa ser conscientizada sobre o fenômeno da população em situação de rua. É preciso quebrar estigmas e parar com essa associação de criminalidade com população em situação de rua”, reagiu a advogada do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua, Luana Ferreira Lima. “A gente não pode generalizar e dizer que todos os que estão nas ruas são pessoas violentas, descontroladas. Isso pode provocar um estigma e até atos violentos contra ela”, acrescentou Luana, ressaltando que políticas públicas são discutidas pelo Comitê de Avaliação e Monitoramento da Política Municipal para a População em Situação de Risco.

A coordenadora do Comitê de Acompanhamento e Monitoramento das Políticas Municipais para a População de Rua, Soraya Romina, também disse desconhecer estatística de que 95% dos moradores de rua abordados pela PM na Savassi tenham ficha criminal. O novo censo, segundo ela, será instrumento importante para fazer um retrato atualizado da situação e orientar políticas públicas específicas.

Fonte: Portal UAI

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