Empresas ameaçam Move para pressionar por reajuste da tarifa

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Ao completar hoje um mês de funcionamento, o Move (nome dado ao BRT) aparece no centro da polêmica sobre o reajuste da tarifa de ônibus em Belo Horizonte. Além de ser colocado pela prefeitura como um dos motivos para o aumento de 7,5% no valor da passagem, o sistema tem sua ampliação ameaçada pelas concessionárias do setor, que prometem barrar as próximas etapas de inauguração caso a elevação de R$ 2,65 para R$ 2,85 não ocorra de imediato. Com isso, a grande aposta de mobilidade urbana da capital permanece estagnada e, em vez de melhorar o transporte coletivo e o trânsito, agrava ainda mais os congestionamentos no centro e na avenida Cristiano Machado por conta do acréscimo de ônibus em circulação.

A promessa do Move, de acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), é reduzir o número de ônibus na Cristiano Machado em direção ao centro – de 455 coletivos para 171, uma queda de 62%. No entanto, a diminuição depende da inauguração das próximas etapas.

Em coletiva na quinta-feira da semana passada, o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, informou que, no próximo sábado e nos outros dois fins de semana de abril, haverá ampliações do Move na Cristiano Machado, embora as obras no terminal São Gabriel ainda ocupem boa parte do espaço. Nem o telhado da estação foi concluído.

A avenida Antônio Carlos, que também está tomada por máquinas e operários, tinha inauguração marcada para abril, mas agora os gestores já falam em maio. Ontem, a autarquia não confirmou as datas nem deu detalhes sobre as futuras fases de implantação do sistema.

Ameaça. Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) informou que cerca de 400 ônibus necessários para as próximas etapas do Move deixarão de ser adquiridos se não houver reajuste. “Os que estão nas garagens atualmente só atendem a demanda atual da Cristiano Machado. Falta chegar 80% da frota, e, sem ela, não tem ampliação do Move”, afirmou o porta-voz da entidade, Edson Rios.

A reportagem, no entanto, visitou uma das concessionárias no fim do mês passado e encontrou pelo menos oito veículos recém-chegados da montadora sendo preparados para o início da operação, com instalação de leiaute interno e tecnologias. De acordo com o responsável pela empresa, que preferiu anonimato, as demais concessionárias da cidade também estariam recebendo a nova frota – ao todo, serão 428 ônibus, divididos entre 40 empresas ligadas a quatro consórcios.

Hoje, 22 ônibus estão em circulação, segundo a BHTrans. Em entrevista à reportagem no fim do mês passado, a autarquia informou que pelo menos 40 veículos já teriam sido adquiridos. Cada ônibus articulado é avaliado em R$ 840 mil e os padrons (menores), em R$ 350 mil cada. De acordo com o Setra-BH, esse valor é financiado pelas concessionárias.

Reajuste. O gasto das empresas com a nova frota e com tecnologias do Move é apontado pela prefeitura como um dos motivos para o reajuste de 7,5% no valor da tarifa, que passaria a valer no último domingo.

Porém, na sexta-feira anterior, a Justiça suspendeu o aumento por 30 dias. Atualmente, o Move conta com três linhas que partem da estação São Gabriel – 83D (até o centro, sem paradas), 83P (até o centro, paradora) e 82 (Savassi via região hospitalar). Nenhuma linha convencional foi extinta ou alterada até agora.

Avaliação

Coletiva. A BHTrans informou que divulgará as próximas etapas do Move em coletiva, “em breve”. Na mesma ocasião, a autarquia promete fazer uma avaliação da primeira etapa de inauguração.

Fonte: O Tempo

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