Belo Horizonte precisa de chuva histórica para afastar riscos de falta d’água

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Seria preciso chover pelo menos quatro vezes e meia a média histórica de fevereiro na Grande BH – que é de 168,1 milímetros – para que o Sistema Paraopeba recupere o volume de 50% de sua capacidade (restrita a 30,12% até ontem). Só assim, segundo especialistas, seria amenizada a situação crítica em que se encontra, que pode levar a região ao racionamento. Com base no volume médio de chuvas em fevereiro de 2013, que foi de 73 milímetros e elevou os reservatórios de 89,3% para 91,2%, de acordo com a Copasa, matemáticos consultados pela reportagem do Estado de Minas concluíram ser necessário um acumulado de precipitações de 763,8 milímetros para alcançar a metade volumétrica, que é inferior ao mesmo período dos últimos dois anos. A Copasa informou, por meio de nota, que “para regularizar a situação dos reservatórios do sistema Paraopeba serão necessárias chuvas contínuas por, no mínimo, três meses e regularização dos índices pluviométricos das próximas estações chuvosas”. Disse, ainda, que baseado nas séries históricas de pluviometria “nunca houve um período de estiagem como o que estamos vivenciando”.

Nem a tempestade que caiu na segunda-feira em Belo Horizonte, a mais volumosa do ano, que despejou 34 milímetros de água, superando a chuva de domingo em 3 milímetros, conseguiu dar alento significativo aos reservatórios de Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores, os três que constituem o chamado Sistema Paraopeba: ele ganhou apenas 0,3% em seu volume de segunda-feira para ontem. O reservatório de Vargem das Flores, entre Betim e Contagem, foi o que mais aproveitou a precipitação, subindo 1,4%. Os reservatórios de Rio Manso e de Serra Azul, que são maiores, tiveram uma elevação discreta, de 0,2% cada um.

A três dias do término do mês, o acumulado de chuvas na capital mineira chega a 87,5 milímetros, o que representa 29,5% da média histórica, de 296,3 milímetros. Janeiro é considerado pelos meteorologistas como o mês de maior precipitação da estação chuvosa. Contudo, tanto no primeiro mês quanto nos dois seguintes, que compõem essa temporada de chuvas mais intensas, a previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é de índices abaixo da média. “Essas pancadas no fim do dia não servem para garantir volume aos reservatórios. Trazem mais transtornos para as cidades do que ganhos para o abastecimento”, avalia o analista do 5º Distrito de meteorologia, Luiz Ladeia.

Barreiras

 

Uma série de barreiras se interpõem entre o caminho das águas da chuva e o reservatório, retardando um efeito mais sensível no nível dessas barragens, segundo a avaliação do mestre em ecologia aquática e consultor de recursos hídricos Rafael Resck. “O nível normal dos reservatórios só seria alcançado com chuvas de 30% a 40% acima da média e constantes nos próximos dois anos”, estima. O especialista afirma que a precipitação diretamente sobre o espelho d’água não é capaz de representar impactos significativos num manancial. É preciso que as áreas de recarga sejam atingidas. “Mesmo quando a água penetra no solo, a chegada ao aquífero e o abastecimento das nascentes que regularizam os rios leva ainda tempo, chegando até a uma semana, dependendo do rio”, detalha Resck.

No estado, ontem foi registrada chuva em Itaúna e Pará de Minas (Centro-Oeste), Lavras e Varginha (Sul), Frutal e Uberaba (Triângulo), Pirapora (Norte), Barbacena (Central), São João del-Rei (Vertentes) e Juiz de Fora, Ubá e Muriaé (Zona da Mata).

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