Estações do Move estão subaproveitadas em Belo Horizonte

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Nenhuma das 20 estações de transferência do Move ao longo do corredor Antônio Carlos/Pedro I, na capital, alcança a capacidade máxima de dez mil usuários por dia. A informação consta em relatório da Operação Urbana Consorciada Antônio Carlos/Pedro I e Leste/Oeste (OUC Aclo). A subutilização, segundo técnicos da prefeitura, reflete a necessidade de maior adensamento ao longo dos corredores, um dos principais objetivos da iniciativa. Urbanistas, no entanto, afirmam que só planejamento urbano não basta – é preciso expandir a rede de transporte de massa da capital.

O levantamento indica que a estação mais movimentada é a da UFMG, que recebe 6.500 usuários diariamente, e a mais ociosa é a do Planalto, com 400 passageiros. Outras cinco estações também não chegam a mil usuários por dia (veja quadro ao lado).

De acordo com a prefeitura, a saída para minimizar a subutilização é implantar, ao longo das avenidas, a OUC, que tem regras construtivas mais flexíveis para direcionar o adensamento em determinadas regiões da cidade. A proposta é que a contrapartida paga à prefeitura por empresários que utilizarão o terreno seja aplicada pelo Executivo na melhoria da infraestrutura da região do empreendimento.

Coordenador da OUC, Thiago Esteves explica que há grande fluxo de usuários do Move que saem das estações de integração em direção ao centro, mas o sistema não alcança toda a capacidade ao longo do corredor devido à forma de ocupação no entorno. “A cidade cresceu de costas para o corredor. No entorno da Antônio Carlos e da Pedro I, temos muitos galpões e poucas residências. Criando regras especiais para provocar o adensamento das regiões, com empreendimentos residenciais aliados a centros de comércios e serviços, conseguimos aumentar a utilização do Move”, afirmou.

Outra ação prevista na OUC para potencializar o uso do Move é a criação de ciclovias para ligar, pelos corredores, os bairros às estações.

Crítica. Integrante do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Sérgio Myssior concorda que a forma de ocupação do espaço público impacta na utilização do Move ao longo do corredor, mas afirma que só esse fator não explica a baixa adesão ao sistema.

“O adensamento dessas regiões não vai, por si só, resolver o problema da mobilidade. O sistema de transporte da capital carece de investimentos, como a criação de mais linhas de metrô e uma rede maior do Move. A falta de integração do sistema BRT da capital com o metropolitano impacta negativamente na adesão”, analisa o arquiteto e urbanista.

Resposta

Executivo. A prefeitura informou que a implantação do Move foi planejada para atender maior demanda de usuários já com a perspectiva de maior adensamento no corredor, resultado da OUC.

 

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