Crise faz Vallourec encerrar a produção de aço no Barreiro

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A crise no setor siderúrgico, que sofre com a baixa demanda, faz uma das empresas ícones de Minas Gerais encerrar sua produção. A Vallourec informou que a usina do Barreiro, antiga Mannesmann, desligará, em abril, o primeiro alto-forno da empresa. E até o segundo semestre de 2018, o segundo alto-forno e toda a produção de aço serão desativados, segundo declarou a empresa por nota. A capacidade abandonada é de 600 mil toneladas de aço bruto por ano, usado para a fabricação de tubo sem costura. Toda a produção do metal da Vallourec passará para a usina de Jeceaba, na região central do Estado, que é capaz de produzir até 1 milhão de toneladas por ano. As mudanças fazem parte de uma reestruturação industrial e financeira que afeta suas atividades em todo o mundo.

Só no Brasil, o Instituto Aço Brasil (IABr) contabilizou uma queda de 16,7% no consumo de aço em 2015 em relação a 2014, que por sua vez já havia sido 6,8% menor do que em 2013. Segundo a Fiemg, setores que são grandes consumidores do produto, como automóveis e máquinas e equipamentos, fecharam 2015 no vermelho. A queda de faturamento do setor automobilístico mineiro no ano passado em comparação com 2014 foi de 36,1%, enquanto máquinas e equipamentos perderam 46,9% do faturamento na mesma comparação.

“A nossa preocupação é segurar os postos de trabalho”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte, Contagem e Região (Sindimetal), Geraldo Valgas. Segundo o sindicalista, com a mudança, pelo menos 200 funcionários devem ser demitidos. “A empresa nos chamou para uma reunião hoje (nesta segunda) e falou dessas mudanças. Eles prometeram que cerca de 3.000 postos devem ser mantidos”, conta Valgas. Isso acontece porque serão mantidos os laminadores e as plantas de acabamento de tubos em Belo Horizonte, segundo a Vallourec. Atualmente, são 3.400 funcionários na unidade do Barreiro e 2.100 na usina de Jeceaba, que deve absorver boa parte dos trabalhadores.

“A empresa pode aproveitar o pessoal que produzia aço no Barreiro na unidade de Jeceaba. Ajudaria a evitar demissão. Se tiver que demitir mesmo, podia priorizar o aposentado que continua trabalhando e também fazer um PDV (programa de demissão voluntária)”, afirma.

O sindicalista, porém, pondera que as notícias poderiam ser piores. “Achei que eles iam fechar totalmente a unidade”, conta. No caso da Vallourec, o mercado petrolífero afeta diretamente a produção, já que a Petrobras é o principal cliente de seu produto. A usina do Barreiro foi inaugura em 1952 pela alemã Mannesmann, trazida pelo governo de Getúlio Vargas para atender a então emergente indústria petrolífera nacional. Para Valgas, porém, os problemas da estatal brasileira não foram os únicos. “Afetou, mas não foi preponderante. O problema é mundial”, diz.

Atividades

Fora. A fusão entre Vallourec e Nippon Steel não vai envolver outros negócios da empresa francesa no Brasil como mineração, florestal, transporte e serviços e a Tubos Soldados Atlântico (TSA).

Faturamento da indústria é 15,9% menor

A indústria mineira amargou uma queda de faturamento de 15,9% de janeiro a dezembro de 2015 em comparação com o mesmo período de 2014, segundo a Fiemg. Esse foi o segundo ano seguido de queda no faturamento, que em 2014 foi de 6,2% frente 2013. Com isso, o emprego também recuou 7,3% no ano passado na comparação com 2014.

Para a entidade, a recuperação não virá em 2016. A expectativa para este ano é de queda de produção industrial de 2,74% e de 0,82% no faturamento.

Japoneses terão 15% de participação da empresa no Brasil

A decisão de parar de produzir aço na usina do Barreiro faz parte de uma reorganização que atinge a Vallourec no mundo. No Brasil, a empresa fundiu a Vallourec Tubos do Brasil S/A, que era 100% Vallourec, com a Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil, joint venture com a Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation (NSSMC). Com a fusão, a empresa passa a chamar Vallourec Soluções Tubulares do Brasil, na qual a Vallourec deterá 85% e a NSSMC os 15% restantes. A operação, porém, ainda aguarda decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser oficializada.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte, Contagem e Região (Sindimetal), Geraldo Valgas, a entrada dos japoneses foi positiva. “Eles vão entrar com dinheiro o que vai ser importante para a empresa se manter”, afirma Valgas. Outra notícia bem recebida pelo sindicalista é que, com as mudanças globais, a empresa deve fechar mais postos na Europa do que no Brasil. “Eles disseram que vão demitir cerca de 2.000 pessoas na Europa. Então, aqui, o impacto é menor”, diz. Por nota, a empresa informa que o “projeto de racionalização compreende o fechamento de dois laminadores na França, uma linha de rosqueamento, em Mülheim, na Alemanha, bem como uma linha de tratamento térmico, em Bellshill, na Escócia, resultando em uma redução de 50% na capacidade produtiva de tubos em 2017, comparado ao nível de 2014.

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